Burnout ou Menopausa? Como Identificar e Lidar com os Sintomas no Trabalho

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Climatério pode coincidir com o auge da carreira – muitas vezes sem que as mulheres reconheçam os sinais.

Cansaço extremo, alterações de humor e dificuldade de concentração. Para mulheres a partir dos 40 anos, esses sintomas podem indicar o início da menopausa – ou será que é burnout?

A psicóloga Aline Eliza Ribas, de 46 anos, viveu essa dúvida. Com noites mal dormidas, lapsos de memória e uma sensação constante de esgotamento, ela chegou a questionar se ainda amava sua profissão ou se enfrentava um excesso de trabalho. O que ela não sabia, inicialmente, era que esses sinais estavam ligados à pré-menopausa, uma fase de transição hormonal que impacta profundamente o corpo e a mente.

“Comecei a sentir uma queda de energia que afetava meu desempenho no trabalho e minha vida familiar. Foi um período de muitos questionamentos e incertezas”, relembra Aline.

O climatério – fase que marca a transição da vida reprodutiva para a não-reprodutiva – geralmente se inicia por volta dos 40 anos e pode se estender até os 65. É nesse período que muitas mulheres enfrentam as maiores responsabilidades profissionais, liderando equipes ou assumindo projetos desafiadores, ao mesmo tempo em que lidam com mudanças hormonais intensas.

Os Desafios do Climatério no Trabalho

De acordo com um estudo da Plenapausa, femtech brasileira especializada na saúde da mulher, 91% das brasileiras na menopausa relatam cansaço extremo e falta de energia, 89% mencionam alterações de humor e 82% apontam ansiedade ou depressão. Esses sintomas, muitas vezes, refletem diretamente na produtividade e na confiança profissional.

“Alterações de humor podem dificultar a comunicação no ambiente de trabalho, enquanto a ansiedade e a falta de clareza mental comprometem o cumprimento de tarefas”, explica Carla Moussalli, cofundadora da Plenapausa.

Os impactos são tão significativos que 44% das mulheres nessa fase relatam queda na produtividade, mas apenas 8% reduzem a carga horária para lidar com os sintomas. Para muitas, assumir os efeitos da menopausa pode ser visto como um sinal de fraqueza, o que reforça o silêncio sobre o tema no ambiente corporativo.

Burnout ou Menopausa? Como Diferenciar

Os sintomas do burnout e da menopausa frequentemente se confundem, mas existem diferenças importantes. Segundo a ginecologista Vanessa Heinrich, além de sinais como exaustão emocional e perda de motivação, típicos do burnout, a menopausa apresenta características específicas, como ondas de calor, ressecamento vaginal e irregularidade menstrual.

“O diagnóstico correto exige um olhar atento. Enquanto a menopausa pode ser tratada com reposição hormonal e ajustes no estilo de vida, o burnout requer intervenções no ambiente profissional e suporte psicológico”, explica a médica.

Testes como o Índice de Kupperman, disponível gratuitamente em plataformas especializadas, podem ajudar as mulheres a identificar sintomas específicos da menopausa e a buscar apoio médico.

Mudanças Necessárias no Ambiente de Trabalho

Apesar da relevância do tema, políticas voltadas para apoiar mulheres na menopausa ainda são raras no Brasil. Em países da Europa, iniciativas como horários flexíveis, programas de bem-estar e até licenças específicas para menopausa já fazem parte da realidade de muitas empresas.

“No Brasil, falar sobre menopausa no trabalho ainda é um tabu”, afirma Márcia Cunha, da Plenapausa. Ela destaca que, além de ser uma questão de saúde, essas adaptações são estratégicas para manter equipes engajadas e produtivas.

Como Lidar com a Menopausa no Trabalho

Para enfrentar essa fase, é essencial adotar medidas práticas:

  • Cuidados médicos: Consultar ginecologistas para avaliar a necessidade de reposição hormonal e outros tratamentos.
  • Mudanças no estilo de vida: Ajustar a dieta, incorporar exercícios físicos e adotar práticas de relaxamento, como yoga ou meditação.
  • Comunicação aberta: Conversar com gestores sobre adaptações necessárias, como horários flexíveis ou pausas durante o expediente.
  • Busca por apoio: Participar de redes de apoio ou grupos que discutam menopausa pode ajudar a normalizar o tema e promover troca de experiências.

“Manter-se ativa e buscar apoio adequado faz toda a diferença. A menopausa não é o fim da linha, mas um momento de transição que pode ser atravessado com qualidade de vida”, reforça Vanessa Heinrich.

Um Chamado à Ação

O diálogo sobre menopausa e trabalho é essencial para garantir que mulheres nessa fase sejam reconhecidas e valorizadas. “Ainda enfrentamos preconceitos que associam o fim da vida reprodutiva à perda de produtividade, mas isso está longe da verdade”, ressalta Márcia Cunha.

A história de Aline é um exemplo de superação. Após buscar tratamento e realizar mudanças em sua rotina, ela conseguiu retomar sua energia e produtividade. “Permitir-se descansar e cuidar de si mesma é fundamental. Hoje, me sinto mais preparada para lidar com os desafios”, conclui.

Com informação, suporte e adaptações, a menopausa não precisa ser um obstáculo para a carreira. Pelo contrário, pode ser o início de uma nova fase, cheia de possibilidades e aprendizados.

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