Pesquisadora Desenvolve App para Melhorar o Cuidado com Pacientes do SUS

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Luisa Brant inova ao unir tecnologia e saúde em projeto com potencial de transformar o tratamento de doenças crônicas no Brasil.

A pesquisadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luisa Brant, está à frente de um projeto que busca revolucionar o cuidado com pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Com foco em insuficiência cardíaca – principal causa de internações por doenças cardiovasculares no Brasil –, Brant lidera o desenvolvimento de um aplicativo móvel que promete facilitar o acompanhamento médico e otimizar tratamentos.

“Queremos melhorar o acesso e a adesão ao tratamento com intervenções e medicamentos comprovados, especialmente para quem mais precisa”, explica Brant, vencedora do prêmio Para Mulheres na Ciência, promovido pelo Grupo L’Oréal em parceria com a UNESCO e a Academia Brasileira de Ciências. A premiação reconheceu sete cientistas brasileiras em 2024, cada uma com uma bolsa de R$ 50 mil.

O aplicativo é fruto de uma parceria internacional liderada pela Universidade Stanford, em colaboração com outras cinco universidades americanas. “Trabalhamos juntos por um ano, nos reunindo semanalmente para desenvolver o app”, relembra Brant. Após o desenvolvimento, cada instituição adaptou o projeto às suas necessidades. Agora, a versão brasileira está sendo testada para avaliar diferenças culturais e comprovar sua eficácia no SUS.

Tecnologia a Serviço da Saúde Pública

O aplicativo foi desenhado para pacientes do SUS, levando em conta suas realidades socioeconômicas. A versão brasileira inclui vídeos educativos sobre insuficiência cardíaca, uso correto de medicamentos, hábitos alimentares e práticas de exercícios físicos adaptados à rotina e aos alimentos disponíveis no Brasil.

“Usamos uma linguagem simples e acessível. Não adianta recomendar azeite de oliva para quem não tem acesso a ele. Nossas sugestões precisam ser viáveis”, destaca Brant.

Os pacientes também recebem equipamentos como uma balança e um medidor de pressão com conectividade bluetooth, permitindo que os dados sejam registrados automaticamente no aplicativo. Esses dados alimentam gráficos que ajudam os pacientes e os profissionais de saúde a monitorar a evolução do tratamento.

O app ainda oferece um chat com enfermeiros disponível no horário comercial para esclarecer dúvidas e consultas médicas por telemedicina a cada 15 dias. “É um complemento, não um substituto ao acompanhamento presencial, mas pode fazer muita diferença na adesão e no controle da doença”, acrescenta a pesquisadora.

Impacto e Perspectivas para o Futuro

Para avaliar o impacto do aplicativo, Brant lidera uma equipe de 12 profissionais que trabalham com uma amostra de 154 pacientes. Durante três meses, os participantes testam o app enquanto a equipe compara os resultados com um grupo que não utiliza a tecnologia.

Se os resultados forem positivos, o aplicativo poderá ser expandido para o tratamento de outras doenças crônicas. “O sonho é torná-lo uma ferramenta nacional, capaz de atender diversas condições de saúde e promover a equidade no acesso ao tratamento”, projeta Brant.

Com previsão de conclusão da pesquisa para o final de 2025, o projeto tem o potencial de pavimentar o caminho para uma integração maior da saúde digital no Brasil. “A saúde digital não substitui, mas complementa. É o futuro e pode ser um grande aliado no acesso e na personalização do cuidado”, afirma Brant.

Ciência e Reconhecimento

Além de Luisa Brant, outras seis cientistas foram premiadas no programa Para Mulheres na Ciência em 2024, cuja cerimônia aconteceu em 27 de novembro. Criada em 2006, a iniciativa já reconheceu mais de 120 pesquisadoras brasileiras em áreas como ciências da vida, química, física e matemática.

Entre as premiadas está Raquel Aparecida Moreira, bióloga formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que investiga os efeitos de antidepressivos e ansiolíticos nos ecossistemas aquáticos. Sua pesquisa busca entender como esses medicamentos, ao chegarem aos rios e lagos, podem alterar o comportamento de peixes e crustáceos, influenciando padrões de natação e reações a predadores.

“Assim como esses remédios afetam o comportamento humano, acreditamos que também podem modificar o comportamento dos animais, inclusive causando dependência química após exposições prolongadas”, explica Raquel.

Um Passo Adiante na Ciência Brasileira

Projetos como o de Luisa Brant e Raquel Moreira demonstram o impacto das mulheres na ciência brasileira, promovendo inovações que beneficiam tanto a saúde pública quanto o meio ambiente. A combinação de tecnologia, pesquisa e compromisso social aponta para um futuro em que a ciência e a inovação caminham lado a lado para transformar vidas.

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