Economia do Cuidado: Mulheres e a Invisibilidade do Trabalho Não Remunerado

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Mulheres realizam mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo. Se recebessem um salário mínimo por tarefas domésticas e cuidados, teriam contribuído com US$ 10,9 trilhões para a economia global em 2020 – mais que o dobro do valor gerado pela indústria global de tecnologia no mesmo ano (US$ 5,2 trilhões). No Brasil, esse trabalho representaria 13% do PIB, segundo a FGV IBRE.

O Trabalho Invisível O trabalho de cuidado inclui tarefas como cuidar de filhos, idosos e doentes, além de cozinhar, limpar e organizar a casa. Apesar de essencial para o funcionamento da sociedade, não é remunerado e sobrecarrega desproporcionalmente as mulheres. Elas dedicam, em média, 25 horas semanais a essas tarefas no Brasil, enquanto os homens dedicam apenas 11 horas.

Em países com maior igualdade de gênero, como Noruega e Suécia, a disparidade é menor, mas persiste. Já no Egito, mulheres acumulam 5,4 horas diárias de trabalho não remunerado, enquanto homens contribuem com apenas 35 minutos.

Impactos na Saúde e Bem-Estar A sobrecarga de trabalho doméstico está associada a insatisfação financeira, problemas de saúde mental e física, além de restrições ao trabalho remunerado. Mulheres enfrentam condições como ansiedade, depressão e dores crônicas devido ao esforço físico e emocional exigido. Segundo a ONG Think Olga, 22% das mulheres relatam sobrecarga com tarefas domésticas, especialmente entre as de 36 a 55 anos e mulheres pretas e pardas.

Consequências Econômicas O trabalho não remunerado impulsiona a economia informal, mas não é contabilizado no PIB. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classifica essa disparidade como uma violação dos direitos das mulheres e um obstáculo ao empoderamento econômico.

Avanços Necessários Abordar a desigualdade na distribuição do trabalho de cuidado é crucial para promover a igualdade de gênero e melhorar a qualidade de vida das mulheres. A conscientização, iniciada por temas como o da redação do Enem 2024 – “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil” –, é um passo importante para a mudança.

Reconhecer e valorizar o trabalho de cuidado é essencial para construir uma sociedade mais justa e sustentável.

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