Estudo da ONU Mulheres e UIP revela que apenas 18,1% dos deputados federais são mulheres; país está abaixo da média mundial e até de nações com leis mais conservadoras.
O ranking global da desigualdade
O Brasil ocupa a 133ª posição entre 189 países no ranking de representação parlamentar feminina, divulgado pela ONU Mulheres e pela União Interparlamentar (UIP). O levantamento, que analisou dados até janeiro de 2025, coloca o país atrás de nações como:
- Arábia Saudita (125º) – onde mulheres conquistaram direito a voto apenas em 2015;
- Egito (86º);
- Iraque (76º).
O continente americano, líder global no tema, tem 35,4% de mulheres em parlamentos, enquanto a média mundial é de 27,2%.
A realidade brasileira
Câmara e Senado
- Câmara dos Deputados: Apenas 93 mulheres (18,1%) entre os 513 parlamentares;
- Senado: 16 senadoras (19,8%) em 81 cadeiras.
Ministérios
- 10 pastas são comandadas por mulheres (32,3%), colocando o Brasil na 53ª posição nesse critério.
Por que a política ainda é um “clube dos homens”?
Especialistas apontam causas estruturais:
- Falta de financiamento: Mulheres recebem menos recursos para campanhas;
- Violência política: Assédio e ameaças desencorajam candidaturas;
- Cultura machista: Resistência a lideranças femininas em partidos tradicionais.
“A subrepresentação é um sintoma da desigualdade de gênero enraizada. Sem cotas efetivas e políticas de apoio, o progresso será lento” – Ana Claudia Pereira, pesquisadora em gênero e política.
Brasil no Índice Global de Gênero
No relatório do Fórum Econômico Mundial 2024, o país está em 70º lugar em igualdade de gênero. A pior performance está na participação política, com apenas 65,7% de paridade – abaixo de Ruanda (1º) e Nicarágua (2º), onde mulheres são maioria no Parlamento.
Comparação com outros BRICS
- África do Sul: 46,2% de mulheres no Parlamento;
- Rússia: 19,8%;
- Índia: 14,4%.
O que pode mudar?
- Lei de Cotas (1997): Atualmente, 30% das candidaturas devem ser femininas, mas partidos burlam a regra;
- Propostas em debate: Financiamento exclusivo para campanhas de mulheres e punição a partidos que não cumprirem cotas.

