Mulheres que ganham mais que os maridos ainda enfrentam tensão conjugal, aponta estudo.

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Pesquisa internacional revela que casais heterossexuais com mulheres como principais provedoras são vistos como menos estáveis, mesmo com avanços na equidade de gênero.


Quando a mulher é a principal provedora do lar, o casamento tende a ser percebido como menos satisfatório e mais suscetível ao divórcio — tanto pelos próprios cônjuges quanto por terceiros. É o que revela um estudo publicado na revista Sex Roles, que analisou mais de 500 casais e 2.400 entrevistados para entender como os estereótipos de gênero impactam relacionamentos. Apesar do crescimento do número de mulheres como chefes de família (49,1% dos lares brasileiros em 2022), a visão tradicional do homem como provedor ainda persiste, gerando conflitos e desconforto.


Os dados da desigualdade

A disparidade salarial entre gêneros segue relevante:

  • EUA: Mulheres ganham 82,7 centavos para cada dólar masculino (2023).
  • Brasil: Recebem, em média, 20,9% a menos que homens (Ministério do Trabalho).

Por outro lado, a presença feminina como principal fonte de renda avança:

  • Brasil: Saltou de 38,7% (2012) para 49,1% (2022) dos lares.
  • EUA e Europa: Entre 26% e 37% das mulheres são as principais provedoras.

O peso dos estereótipos

A pesquisa, que combinou análise de mídia, experimentos e entrevistas, identificou padrões preocupantes:

  1. Entre os casais:
    • Homens que ganham menos relatam sentimentos de inadequação e redução da autoestima ligada à masculinidade.
    • Mulheres provedoras também expressam desconforto, mas em menor intensidade.
  2. Na percepção social:
    • Em um experimento, casais onde a mulher ganhava mais foram classificados por terceiros como “menos satisfeitos” e com maior risco de divórcio — mesmo quando todas as outras variáveis eram idênticas.
  3. Na mídia:
    • Análise de 94 reportagens mostrou que mulheres provedoras são retratadas como “transgressoras”, enquanto homens aparecem como “menos masculinos”.

Raízes históricas do problema

A ideia do homem como único provedor é recente na história:

  • Sociedades antigas: Mulheres eram essenciais na coleta (responsável por 70% da dieta em grupos caçadores-coletores) e na agricultura.
  • Século XIX-XX: Revolução Industrial consolidou o modelo masculino como “sustentador”, marginalizando o trabalho feminino remunerado.

Conclusão: Um futuro em transformação

Se a equidade salarial for alcançada, metade dos casais heterossexuais terá mulheres como principais provedoras. Enquanto isso, os pesquisadores alertam:

  • Para casais: Terapia e diálogo sobre divisão de papéis podem reduzir tensões.
  • Para a sociedade: É preciso desvincular masculinidade de provisão financeira e valorizar outras formas de contribuição doméstica.

“A estabilidade conjugal não deveria depender de quem traz o maior salário, mas de como o casal se apoia mutuamente”, conclui o estudo.


Dicas para casais com dinâmica financeira não tradicional

✔ Aborde o tema abertamente — evite assumir expectativas sem diálogo.
✔ Redefina “contribuição” — tarefas domésticas e cuidado com os filhos também são trabalho.
✔ Busque apoio profissional — terapia de casal pode ajudar a romper estereótipos internalizados.


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