Por Que as Mulheres Têm Mais Dificuldade para Dormir Bem?

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Oscilações hormonais e sobrecarga mental prejudicam a qualidade do sono feminino; descubra estratégias para dormir melhor

Você já acordou cansada mesmo depois de uma longa noite de sono? Para muitas mulheres, essa é uma realidade constante. Estudos apontam que as mulheres precisam dormir um pouco mais do que os homens, mas frequentemente têm pior qualidade de sono, sofrendo mais interrupções e dificuldades para adormecer.

As diferenças entre os padrões de sono de homens e mulheres começam já na puberdade. Meninas relatam mais dificuldades para dormir e enfrentam mais distúrbios do sono do que os meninos. Isso pode estar relacionado ao amadurecimento hormonal mais precoce e intenso nas mulheres, ao contrário dos meninos, cujo processo ocorre de forma mais gradual.

Hormônios: vilões ou aliados?

Oscilações hormonais ao longo do ciclo menstrual têm forte influência sobre a qualidade do sono feminino:

  • Durante a menstruação: Baixos níveis de progesterona e estrogênio dificultam pegar no sono.
  • Fase folicular: Conforme os níveis hormonais aumentam, preparando o corpo para a ovulação, muitas mulheres relatam maior sonolência.
  • Ovulação e fase lútea: Nesta fase, os níveis hormonais atingem o pico, favorecendo um sono de melhor qualidade.
  • Pré-menstruação (TPM): A rápida queda hormonal pode causar ansiedade, irritabilidade e outros sintomas que afetam negativamente o sono.

Impactos na menopausa

Uma pesquisa do Centro Americano de Estatísticas de Saúde revelou que 56% das mulheres na perimenopausa — fase de transição para a menopausa — dormem menos de 7 horas por noite. Esse índice supera o de mulheres na pré-menopausa (32,5%) e pós-menopausa (40,5%). Após a menopausa, aumentam significativamente os casos de apneia do sono e síndrome das pernas inquietas, afetando ainda mais a qualidade do descanso.

Homens e mulheres dormem diferente

Todos passamos por diferentes estágios do sono, divididos entre sono não-REM (profundo e restaurador) e REM (onde ocorrem os sonhos mais intensos e que fortalecem a memória). Mulheres geralmente adormecem mais rápido e permanecem por mais tempo nas fases profundas do sono. Contudo, elas são mais sensíveis a ruídos, luminosidade e temperatura, tornando mais fácil acordar durante a noite.

Segundo a especialista em sono Carol Ash, “as mulheres pagam um preço mais alto pela falta de sono”. Elas têm maior risco de hipertensão, ansiedade e transtornos de humor. Mulheres jovens, em especial abaixo de 50 anos, apresentam maior incidência de estresse e depressão devido à privação do sono.

Distúrbios do sono: riscos diferentes

Enquanto os homens são mais propensos ao ronco e à apneia, mulheres enfrentam maiores índices de ansiedade, depressão, sonolência diurna e dificuldades de concentração e memória após noites mal dormidas, como apontado pela Academia Americana de Medicina do Sono.

O preço alto da falta de sono

Além do impacto direto no humor, concentração e memória, a privação crônica de sono prejudica a criatividade e as decisões cotidianas. Também aumenta os riscos de acidentes domésticos e automobilísticos devido à sonolência.

A falta de descanso afeta ainda a regulação hormonal do apetite. Baixa qualidade de sono aumenta a grelina (hormônio da fome) e reduz a leptina (hormônio da saciedade), favorecendo ganho de peso e obesidade. Há também risco aumentado para diabetes tipo 2, doenças cardíacas, AVC e hipertensão, criando um ciclo prejudicial à saúde geral.

Equidade no sono

A National Sleep Foundation ressalta que mulheres, especialmente quando pertencentes a minorias raciais, de baixa renda ou LGBTQ+, sofrem desproporcionalmente com baixa qualidade do sono. Discriminação, pobreza, sobrecarga de trabalho e acesso limitado à saúde tornam essas populações ainda mais vulneráveis a problemas relacionados ao descanso inadequado.

Estratégias práticas para dormir melhor

Carol Ash sugere ações simples e eficazes:

  • Regularidade: Acordar sempre no mesmo horário e tomar luz natural pela manhã ajusta seu relógio biológico.
  • Ambiente: Evite trabalhar ou assistir televisão na cama. Mantenha o quarto fresco (entre 18 e 20°C), silencioso e escuro.
  • Cuidado com eletrônicos: Reduza a exposição à luz azul de telas antes de dormir.
  • Evite estimulantes: Cafeína, chocolate e bebidas energéticas prejudicam o sono, especialmente durante a menopausa.
  • Rotina noturna relaxante: Aplicativos de meditação como Calm e Headspace têm sido aliados na criação de rotinas tranquilizantes, reduzindo a ansiedade e melhorando a qualidade do sono.

Implementando essas estratégias, é possível enfrentar os desafios específicos do sono feminino e conquistar noites mais tranquilas e revigorantes.

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