O que faz da China o berço das mulheres mais ricas do mundo que começaram do nada?
A China está criando bilionários a uma velocidade impressionante. Entre os dez nomes femininos mais ricos do país, oito construíram sua fortuna do zero. O contraste é evidente: nos Estados Unidos, apenas uma mulher entre as dez mais ricas é self-made. No Brasil, das oito bilionárias, apenas duas ergueram seu império sem heranças.
No cenário global, das 2.668 pessoas bilionárias, apenas 327 são mulheres, e a maioria herdou sua riqueza. Mas 101 delas conquistaram sozinhas, sendo que 45 são chinesas. O que torna a China o berço de tantas mulheres empreendedoras de sucesso? A resposta está na história, na cultura e no ambiente econômico favorável ao empreendedorismo.
O Crescimento Chinês e o Sucesso Feminino
O crescimento econômico da China não é de hoje. Desde as reformas de 1978, o país investe em infraestrutura, privatizações e exportação. O resultado? Um PIB que cresceu, em média, 10% ao ano entre 1991 e 2010, o maior ritmo do mundo.
Esse avanço tirou milhões da miséria e criou um cenário altamente dinâmico, onde oportunidades surgem rapidamente – especialmente para mulheres que encontraram no empreendedorismo um caminho para a ascensão social.
A incorporadora Fu Wah International Group é um exemplo disso. Sua fundadora, Chan Laiwa, hoje com 81 anos, começou consertando móveis. Hoje, acumula uma fortuna de US$ 5,1 bilhões (R$ 26 bilhões).
Outro caso é Zhou Qunfei, que trabalhou em fábricas antes de fundar a Lens Technology, fornecedora de telas para gigantes como Samsung e Microsoft. Sua empresa a fez sair da pobreza e alcançar um patrimônio de US$ 7,1 bilhões (R$ 36 bilhões).
A História Feminina na China: Um Passo à Frente
Apesar de sua tradição patriarcal, a China criou, intencionalmente ou não, um cenário favorável às mulheres. Em 1949, a revolução comunista mudou a legislação, permitindo que elas recusassem casamentos forçados e se divorciassem. Isso as levou para o mercado de trabalho.
Além disso, a política do filho único, implantada nos anos 1970, gerou uma mudança cultural: pais que optavam por ter filhas passaram a investir pesadamente na educação delas, garantindo oportunidades antes restritas aos homens.
O resultado? Uma geração de mulheres altamente capacitadas e prontas para conquistar espaço no mercado.
Empreendedorismo Feminino: O Modelo Chinês
A China se tornou um verdadeiro laboratório do empreendedorismo feminino. Mas o que faz essa fórmula funcionar?
- Ambiente dinâmico: O crescimento econômico acelerado cria oportunidades constantes.
- Educação valorizada: As famílias investem pesado na formação das filhas.
- Menos barreiras culturais: Apesar do machismo, as mulheres não enfrentam tantas limitações em relação a seus objetivos.
- Espírito de superação: A miséria impulsionou muitas empreendedoras a buscar novas possibilidades.
Nos Estados Unidos e na Europa, as maiores bilionárias são herdeiras. Na China, elas criaram seus próprios impérios.
A Fórmula Chinesa Pode Ser Aplicada no Brasil?
Enquanto na China a estrutura familiar e a educação apoiam as mulheres, no Brasil, muitas enfrentam a tripla jornada: trabalho, estudos e cuidados com a casa. Sem políticas públicas eficazes, a ascensão feminina é mais desafiadora.
Ainda assim, há lições a serem aprendidas:
- Investimento em educação de qualidade pode transformar vidas e abrir portas para empreendedoras.
- Uma estrutura de apoio familiar ou estatal pode permitir que mais mulheres se dediquem ao crescimento profissional.
- Mudanças culturais são essenciais para que as mulheres não sejam limitadas em suas ambições.
Com as condições certas, o Brasil pode, sim, criar sua própria geração de bilionárias self-made.
As 5 Bilionárias Self-Made Mais Ricas da China
- Fan Hongwei – Presidente da Hengli Petrochemical, indústria de fibras químicas. Fortuna: US$ 18,2 bilhões (R$ 92,8 bilhões).
- Wu Yajun – Cofundadora da Longfor Properties, uma das maiores incorporadoras da China. Fortuna: US$ 15,3 bilhões (R$ 78 bilhões).
- Wang Laichun – Presidente da Luxshare Precision Industry, fornecedora da Apple. Fortuna: US$ 9,5 bilhões (R$ 48,4 bilhões).
- Zhong Huijuan – Fundadora da Hansoh Pharmaceutical, empresa farmacêutica. Fortuna: US$ 8,1 bilhões (R$ 41,3 bilhões).
- Cheng Xue – Vice-presidente da Foshan Haitian Flavoring, gigante do setor alimentício. Fortuna: US$ 6,4 bilhões (R$ 32,6 bilhões).
A ascensão das mulheres bilionárias na China prova que educação, oportunidade e resiliência são ingredientes fundamentais para o sucesso. E o mundo pode aprender muito com essa revolução silenciosa.