De comédias inesquecíveis a prêmios internacionais, a atriz se consolida como um dos maiores nomes do audiovisual brasileiro.
Fernanda Torres fez história na madrugada de 6 de janeiro de 2025 ao se tornar a primeira brasileira a vencer o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático. Sua atuação em Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, não só emocionou plateias ao redor do mundo, como garantiu um feito inédito para o Brasil, superando grandes estrelas de Hollywood como Angelina Jolie e Nicole Kidman.
O longa, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, retrata a vida de Eunice Paiva, mãe e ativista na década de 1970, que luta para desvendar o desaparecimento do marido durante a Ditadura Militar. Gravado em 2023 e lançado em novembro de 2024, o filme já acumulou uma série de prêmios internacionais, como Melhor Roteiro no Festival de Veneza e o Prêmio do Público no Festival de Vancouver, além de ser aclamado pela crítica.
Uma carreira marcada por grandes conquistas
Nascida no Rio de Janeiro em 1965, Fernanda Torres cresceu rodeada pela arte, filha dos lendários Fernando Torres e Fernanda Montenegro. “Meus pais sempre me ensinaram a independência artística. Desde cedo, aprendi que criar nossos próprios projetos era essencial”, contou em entrevista recente.
Sua formação começou aos 13 anos no Tablado, tradicional escola de atores carioca, e, aos 14, já estreava na TV com a série Aplauso. Um ano depois, conquistava seu primeiro papel em novela com Baila Comigo. No cinema, fez sua estreia em Inocência (1983), aos 18 anos, marcando o início de uma longa trajetória que acumula mais de 20 filmes.

Consagração no Festival de Cannes
Aos 20 anos, Fernanda alcançou notoriedade internacional ao vencer a Palma de Ouro de Melhor Atriz no Festival de Cannes de 1986. Sua interpretação no filme Eu Sei Que Vou Te Amar, dirigido por Arnaldo Jabor, entrou para a história como o primeiro prêmio de atuação do Brasil no prestigiado festival.
Rainha da comédia brasileira
Embora tenha iniciado sua carreira em produções dramáticas, Fernanda se tornou uma referência na comédia. Em 2001, conquistou o público com a icônica Vani, da série Os Normais, ao lado de Luiz Fernando Guimarães. O sucesso gerou três temporadas e dois filmes para o cinema.
Em 2011, Fernanda voltou a brilhar com a comédia Tapas & Beijos, onde interpretou Fátima, ao lado de Andréa Beltrão. A série, que ficou no ar por cinco temporadas, é lembrada até hoje como uma das produções mais populares da TV brasileira.
Uma artista multifacetada
Além da atuação, Fernanda Torres também se destacou como escritora. Desde sua estreia na literatura com Fim (2013), ela publicou mais dois livros: Sete Anos (2014), uma coletânea de crônicas, e A Glória e Seu Cortejo de Horrores (2017). Seu primeiro romance foi adaptado para uma minissérie de dez capítulos no Globoplay, escrita pela própria autora.
“Eu nunca fiquei parada esperando papéis. Sempre procurei criar meus próprios projetos, seja no teatro, na escrita ou no audiovisual”, explicou a artista em entrevista.
O impacto de Ainda Estou Aqui
Depois de mais de uma década dedicada à comédia, Fernanda surpreendeu ao aceitar o desafio de protagonizar Ainda Estou Aqui. O filme, dirigido por Walter Salles, exigiu uma entrega emocional profunda para interpretar Eunice Paiva, uma personagem central em um momento turbulento da história brasileira.
“Não esperava ser chamada para o papel. Já estava há muito tempo trabalhando com comédia, então foi uma surpresa e uma honra receber esse convite do Walter”, revelou.
Além do Globo de Ouro, o filme foi ovacionado no Festival de Veneza, onde recebeu aplausos por mais de dez minutos. Também venceu o Critics Choice Awards e está entre os favoritos para o Oscar 2025, tanto na categoria de Melhor Filme Internacional quanto nas indicações de Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado.
Uma noite para entrar na história
Durante a cerimônia do Globo de Ouro, Fernanda emocionou o público ao dedicar o prêmio à sua mãe, Fernanda Montenegro, indicada à mesma premiação em 1999 por Central do Brasil. “Esse prêmio é uma prova de que a arte resiste e transforma, mesmo nos momentos mais difíceis”, afirmou em seu discurso, arrancando aplausos calorosos da plateia.
O Globo de Ouro não é apenas uma conquista pessoal, mas um marco para o cinema brasileiro, que volta a ganhar destaque no cenário internacional graças a nomes como Fernanda Torres e Walter Salles.
Com uma carreira marcada por desafios e reinvenções, Fernanda segue inspirando gerações de artistas e espectadores, provando que talento, dedicação e coragem podem levar a arte brasileira cada vez mais longe.